Entrevista com DeRose – Parte 7: conceitos aplicados
Trecho da entrevista concedida pelo Comendador DeRose ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009.
Martin Luther King legou-nos um sonho que ele tinha – “I have a dream”. O John Lennon pintou com música – “Imagine”. Nelson Mandela trocou a sua liberdade por esse sonho. O visionário DeRose, como é que configura esse sonho?
Eu não diria visionário. Porque o nosso trabalho é muito terra-a-terra, é muito objetivo, vai diretamente ao indivíduo no mundo em que ele vive. Ou seja, sem subjetividades, sem teorizações, sem suposições. Ideais, sim. Mas dentro de um cuidado muito grande para que esses ideais não se tornem fanáticos. O fanatismo tem que ser evitado. Mas a intenção é justamente conduzir estes conceitos a que o indivíduo possa aplicá-los de fato. Que não seja apenas uma linda proposta, um lindo discurso, mas que ele realmente chegue lá na sua empresa e faça isso funcionar, modificando a estrutura do seu negócio, modificando a administração da empresa, tornando cada funcionário, cada colaborador seu um indivíduo que tem um valor, que tem um potencial, que tem uma criatividade e que é um ser humano. Não no sentido obsoleto de entender o funcionário e o empresário como forças oponentes num cabo de guerra, mas colocando todos a tracionar na mesma direção, direção essa que é o progresso individual e, por consequência, o progresso da sociedade.
Quando o senhor imagina, vamos pegar no “Imagine” do John Lennon, quando o senhor sonha um futuro, sonha o quê? Vê o que no fim dessa viagem?
No “Imagine” eu vejo um credo. O que ele propõe é realmente revolucionário. Até me causa espécie que não tenha havido reações mais virulentas contra aquelas propostas, porque Lennon exorta o indivíduo a superar as limitações de pátria, as limitações de fronteiras. Isso obviamente não agrada nada à maior parte da população, dos governantes, dos poderes constituídos. Querer que todos sejamos um só povo, uma única humanidade. E ao propor “no religion too”! Era de se esperar que todas as religiões censurassem a ousadia. Mas não aconteceu isso. A música é linda e o que nós vemos é que a sua letra é aceita por todos, inclusive pelos governantes, pelos poderes constituídos, pelas religiões em geral. As pessoas gostaram da mensagem de Imagine porque Lennon soube como expressá-la com arte e estética.
Links de todas as partes já publicadas:
- Entrevista com DeRose – Parte 1
- Entrevista com DeRose – Parte 2
- Entrevista com DeRose – Parte 3
- Entrevista com DeRose – Parte 4
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- Entrevista com DeRose – Parte 13
- Entrevista com DeRose – Parte 14
- Entrevista com DeRose – Parte 15
A entrevista foi transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli, Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo Justa e Alessandra Filippini. Revisões sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho.
(fonte)
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