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Entrevista com DeRose – Parte 3: o caminho da convivência

2010 June 12

Trecho da entrevista concedida pelo Comendador DeRose ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009.

Como é que a sua cultura faz isso sobre o indivíduo? De que instrumentos, de que ferramentas dispõe para fazer isso?

A Nossa Cultura! Eu chamo de “Nossa Cultura” porque é um conjunto de conceitos, é uma filosofia, é um sistema de vida. Essa Nossa Filosofia, essa Nossa Cultura, propõe atuar sobre o indivíduo através de uma reeducação comportamental progressiva e espontânea. Não somos a favor de doutrinação, portanto, doutrinação está excluída. Não somos também a favor de repressão. Sem doutrinação e sem repressão, o melhor caminho é o do exemplo. É a convivência. É o que nós chamamos de egrégora. É conviver com o poder gregário, de um grupo que já está dedicado a esses ideais. E, a partir daí, os conceitos são incorporados com muito mais facilidade. Quanto às técnicas, aí já é uma questão de dedicação individual, de praticar, de executar, de treinar.

Pode-se comparar esse tipo de intervenção como quem afina uma orquestra? Vamos reunir os violinos, as flautas, e pô-los todos a prestarem um comportamento numa mesma direção?

Certamente que é. Nós geramos uma sincronia entre todos os elementos que nos constituem como um ser humano. Não apenas corpo e mente, mas corpo físico, emocional, mental, intuicional, enfim, todos os elementos que vão sinergizar-se, como você muito bem exemplificou, como uma orquestra. Depois, nós vamos extrapolar para além do indivíduo. Não queremos que o nosso praticante se restrinja a atuar dentro do seu pequeno mundinho, do seu universo pessoal. Extrapolando, essa orquestra passa a ser também a orquestra da família, a orquestra do trabalho que ele executa, a orquestra da sua arte, de todos os elementos, pessoas, indivíduos, circunstâncias, daquele ambiente. À medida que vai ampliando seu campo de atuação, você chega a considerar que o mundo é muito pequeno, porque alcança as pessoas, através de veículos diversos. Outrora, era através da escrita, através de livros, antes deles, pelos pergaminhos. Hoje conseguimos atingir as pessoas por veículos eletrônicos, conseguimos estar, num momento, escrevendo em nosso computador e ao mesmo tempo sendo lidos, sendo acessados por pessoas em todo o planeta.

Links de todas as partes já publicadas:

      A entrevista foi transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli,
Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo 
Justa e Alessandra Filippini. Revisões sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho.

      (fonte)

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